Tempestade


Eu sentia e via tudo desabando
Mas nunca admitia
Que o fim estava chegando.

Por mais que eu visse as nuvens escurecerem
A chuva cair com mais intensidade
Negava que viria qualquer tempestade.

Havia também aqueles dias
Onde ela chegava sem avisar
E mesmo me derrubando, insistia em de novo levantar.

O que eu menos esperava
É que anunciando ou não sua vinda
Do mesmo modo, ela chegava.

A diferença é o susto
O medo
E o pavor.

Pois vindo sem aviso
Destruindo sem piedade
Nem a maior barreira, irá amenizar a intensidade.

A época da que sinto saudade
É quando a chuva vinha com vontade
Mas eu era protegida, pela lealdade.

Naquela noite acordei assistindo a tempestade
E até agora o barulho dos trovões
Me assombram com a insanidade.

Hoje palavras são vindas como a brisa
E demonstradas como raios
Contradizendo a calmaria, mostrando a verdade.

Antes o que me diziam era tão certo
Quanto dizer que a chuva cai
E hoje é tão banal, quanto tentar prever todo e qualquer temporal.
-Laura Zw.


Noite

Sentada a beira de um lago, com os pés unidos a água morna
Enquanto os pensamentos que, além de serem rápidos como ventos
Parecem estar ainda mais distantes
Do que qualquer estrela.

Por mais que ame a noite
Sinto como se esta estivesse sem vida, sem cor
Como se por um instante
O céu tivesse perdido seu esplendor.

A lua permanece escondida por trás das nuvens
E subitamente o mesmo ocorre com as estrelas
Que a essa altura
Já me fazem falta.

Sinto como se o que visse fosse uma injustiça
Porque por maior que seja a cobiça
A vontade eminente de brilhar
As nuvens parecem não sentir remorso ao ocultar.

Por uma fração de segundo, me sinto semelhante as estrelas e ao luar
Por mais que queira ser a luz
Em meio a um céu brilhante, esperançoso e radiante
As nuvens estão sempre a me cercar.

Elas me sufocam, tomam minha luz
Impedem-me de ser
De ver
E de ser vista.
-Laura Zw.

Seja a luz



Assim como a Lua
Independente da fase
Ou de todas aquelas partes
Que a escuridão de roubar
Por nada deixe
De brilhar.

-Laura Zw.

Capítulos

E se o que estamos vivendo
For como um daqueles livros
Sem ordem de início meio ou fim
Em que cada estrofe é imprevisível
Sem ordem certa de capítulos
Onde tenhamos de ter paciência
Para captar a essência
E não desistir nas primeiras linhas?
Quem sabe um livro curto, com palavras claras
Ou uma daquelas sagas
Onde são necessárias milhões de palavras?
Nada disso posso eu, afirmar
Porém uma coisa, creio que é certa:
Se sentes que tudo está confuso
E queres jogar este livro para o canto
Desistir por ainda não ter achado o encanto
Que todos dizem sentir da vida
Lembre-se de que um capítulo confuso
Ou uma f(r)ase ruim
Não quer dizer que no fim
Tudo será assim
Talvez sejam necessárias
Algumas palavras tristes
Dolorosas e cortantes
Para uma reviravolta feliz
Inesperada, e eletrizante.
-Laura Zw.

Palavras


Minhas palavras saem de minha boca
Como poeira ao vento
Em uma noite fria de outono
Se misturando entre tantas outras
Folhas e sons.

Não importa o quanto
Precisem ser ouvidas
Terminam por fim
Sempre perdidas
Entre vozes e tons.

-Laura Zw.

Liberto-me

Dançando ao anoitecer
Abraçada pelos ventos
Sentindo o leve toque da chuva
Sobre minha pele quente.

Desejando que aquele momento se eternize
Que os problemas fossem junto com ventar
E permanecessem tão distantes
Quanto o luar.

Com apenas as estrelas a me observar
Liberto-me das angústias
Mesmo que por apenas um instante
Completo, e distante.

-Laura Zw.

Entre o céu e o olhar


            Em meio àquela manhã cinza, a única coisa que parecia ser ainda mais deprimente que o céu, eram meus olhos. Em meio a isso, tentei afagar-me com algum pensamento positivo. Pois bem, o Sol ainda estava lá, em algum lugar, certo? Por mais que escondido entre as nuvens, estava presente.  Se o vento por fim ventasse, eu o veria. E ao ver, ele transformaria os céus. De forma sútil, o faria brilhar novamente. Mas, e quanto a mim? A semelhança entre o céu acinzentando com o meu olhar desesperançoso, mudará quando o céu radiar? Meus olhos irão também se alegrar, ao ver o Sol chegar? Ou continuarão a espreita, contrastando o dia feliz, ao abismo de meu interior?


-Laura Zw.

Talvez



Talvez tudo seja uma questão
De falta de equilíbrio
Entre o exorbitante
E o declínio.

-Laura Zw.

Flores

Você se foi
Restou apenas eu
E as flores.

O céu está chorando
Mas não tanto quanto eu já chorei.
E mesmo em meio a esse dia terrível
As flores ainda não perderam seu doce cheiro.

A paz foge, se ausenta
Mas do mesmo modo, há flores aqui.
A vida não muito me encanta
Porém, as flores me fazem sorrir.

A morte veio, implacável
E agora, só queria poder a impedir.
Queria eu te ter aqui, de pé, ao meu lado
Por isso hoje, trago-lhe esta flor.

Assim como ela, não irei abandonar-te
Na chuva, no sol, e independente se você puder ou não a sentir, ela estará aqui.
Agora, ela não pertence mais ao jardim
Dedico ela a sua lápide.

E espero que, de alguma forma
Onde quer que você esteja
Ela te faça sorrir
Do mesmo modo, de quando eu a vi.

-Laura Zw.

Lucidez e devaneio


Sinto que, em algum momento, 
A tenuidade das coisas se perdeu.

Agora há apenas palavras jogadas ao vento,

Rascunhos do que seriam novos começos,
Páginas que deveriam estar viradas,
Histórias mal-acabadas.

Vivendo em meio a instabilidade,
Esperança e melancolia,
Mágoas e alegrias.

Dias de princípios, cheios de certezas,
Outros de dúvidas
E até tristeza.

Dentre essa falta de equilíbrio, vamos assim seguindo,
Entre águas calmas e marés altas,
Brisa lenta e furacões.

Laura Zw.