Palavras


Minhas palavras saem de minha boca
Como poeira ao vento
Em uma noite fria de outono
Se misturando entre tantas outras
Folhas e sons.

Não importa o quanto
Precisem ser ouvidas
Terminam por fim
Sempre perdidas
Entre vozes e tons.

-Laura Zw.

Liberto-me

Dançando ao anoitecer
Abraçada pelos ventos
Sentindo o leve toque da chuva
Sobre minha pele quente.

Desejando que aquele momento se eternize
Que os problemas fossem junto com ventar
E permanecessem tão distantes
Quanto o luar.

Com apenas as estrelas a me observar
Liberto-me das angústias
Mesmo que por apenas um instante
Completo, e distante.

-Laura Zw.

Entre o céu e o olhar


            Em meio àquela manhã cinza, a única coisa que parecia ser ainda mais deprimente que o céu, eram meus olhos. Em meio a isso, tentei afagar-me com algum pensamento positivo. Pois bem, o Sol ainda estava lá, em algum lugar, certo? Por mais que escondido entre as nuvens, estava presente.  Se o vento por fim ventasse, eu o veria. E ao ver, ele transformaria os céus. De forma sútil, o faria brilhar novamente. Mas, e quanto a mim? A semelhança entre o céu acinzentando com o meu olhar desesperançoso, mudará quando o céu radiar? Meus olhos irão também se alegrar, ao ver o Sol chegar? Ou continuarão a espreita, contrastando o dia feliz, ao abismo de meu interior?


-Laura Zw.

Talvez



Talvez tudo seja uma questão
De falta de equilíbrio
Entre o exorbitante
E o declínio.

-Laura Zw.

Flores

Você se foi
Restou apenas eu
E as flores.

O céu está chorando
Mas não tanto quanto eu já chorei.
E mesmo em meio a esse dia terrível
As flores ainda não perderam seu doce cheiro.

A paz foge, se ausenta
Mas do mesmo modo, há flores aqui.
A vida não muito me encanta
Porém, as flores me fazem sorrir.

A morte veio, implacável
E agora, só queria poder a impedir.
Queria eu te ter aqui, de pé, ao meu lado
Por isso hoje, trago-lhe esta flor.

Assim como ela, não irei abandonar-te
Na chuva, no sol, e independente se você puder ou não a sentir, ela estará aqui.
Agora, ela não pertence mais ao jardim
Dedico ela a sua lápide.

E espero que, de alguma forma
Onde quer que você esteja
Ela te faça sorrir
Do mesmo modo, de quando eu a vi.

-Laura Zw.

Lucidez e devaneio


Sinto que, em algum momento, 
A tenuidade das coisas se perdeu.

Agora há apenas palavras jogadas ao vento,

Rascunhos do que seriam novos começos,
Páginas que deveriam estar viradas,
Histórias mal-acabadas.

Vivendo em meio a instabilidade,
Esperança e melancolia,
Mágoas e alegrias.

Dias de princípios, cheios de certezas,
Outros de dúvidas
E até tristeza.

Dentre essa falta de equilíbrio, vamos assim seguindo,
Entre águas calmas e marés altas,
Brisa lenta e furacões.

Laura Zw.